terça-feira, 8 de julho de 2014

Minha infância sobrenatural

Embora para alguns meu modo de pensar e de ver o mundo pareça meio, infantil ou inclinado demais para o lado místico das coisas, eu gostaria de esclarecer alguns pontos da minha história que talvez ajudem os que pensam assim à meu respeito a entenderem um pouco melhor sobre meus motivos de eu ser como eu sou. Afinal, eu nunca tive realmente uma escolha, já que tudo começou cedo demais, quando eu tinha apenas 4 anos de idade.
Dessa parte da história eu me lembro muito pouco, afinal era jovem demais, tenho apenas alguns flashes guardados na memória. Quem me contou essa parte foi minha mãe, cheia de medos e receio, me contou apenas uma vez e parecendo estar escondendo ainda alguns trechos que não são muito claros.

Era uma tarde de céu limpo na cidade de Guarulhos, aos 4 anos eu tinha uma irmã que ainda era um bebê. Minha mãe estava dentro de casa com ela, enquanto eu brincava sozinho no quintal. Então, olhando pro céu, eu disse ter visto "o céu se abrindo" e uma voz me disse uma mensagem que não sou capaz de interpretar até hoje.

Assustada e descrente, minha mãe não quis falar muito sobre o assunto, mas eu disse a ela que precisava conhecer uma igreja. E então começa a minha jornada.
Como eu não disse qual era a igreja que eu precisava visitar, minha mãe começou pela católica, já que essencialmente venho de uma família católica. Porém, assim que o padre iniciou a missa, eu me levantei do banco, fui até o altar, encarei o padre e me virei de costas para ele, encarando as pessoas que assistiam sem entender. Minha mãe, morrendo de vergonha, me pegou e me levou para fora da igreja, onde eu disse a ela que não era essa igreja que eu precisava visitar.
Depois disso ela me levou a mais algumas igrejas, e em todas eu me recusava a ficar, me sentindo incomodado e dizendo que não eram as igrejas certas.
Sem saber mais o que fazer, diante do meu súbito interesse em visitar a igreja "certa", minha mãe me levou a um centro espírita. Ao entrar no local, que eu me lembro vagamente, apenas de algumas cenas, minha mãe disse que eu fiquei bastante tenso e olhando em volta como se estivesse vendo algo que ela não via. A mulher que nos recebeu, explicou à minha mãe que meu comportamento estava estranho porque eu estava vendo as "entidades" que habitavam aquele local, e que eles realmente eram velhos e feios.
Depois disso minha mãe desistiu de encontrar a minha igreja "certa", e eu parei de pedir por isso, mas minha história com o sobrenatural estava apenas começando.

Um ou dois anos depois, nos mudamos para uma casa grande, um sobrado ainda em Guarulhos. Eu já estava quase com 6 anos, minha irmã que era um bebê já andava e falava e eu já tinha mais uma irmã que era um bebê à essa altura.
Nessa casa eu tinha um quarto só para mim. Os quartos ficavam no andar de cima e eu me lembro bem dos detalhes da decoração e do clima da casa. Lembrando agora, eu entendo porque minha mãe sentia tanto medo de ficar por lá, embora ela fosse a única que se sentisse mal.
Me lembro que mais de uma vez, eu acordei de madrugada, sozinho no escuro, e desci até a cozinha para beber água. Me lembro claramente de ver os olhos vermelhos e grandes me encarando pelas sombras, embaixo da mesa, no corredor da escada, e o que faria qualquer adulto tremer, não me afetava demais. Quer dizer, me marcou o bastante para ficar gravado na minha memória, mas não me assustava a ponto de me impedir de ir beber água sozinho.

Depois de muito tempo, minha mãe me contou que o motivo pelo qual ela insistiu tanto para que meu pai vendesse aquela casa, é que ela passou a encontrar artefatos de macumba pelo quintal. Claro que eu não fiquei sabendo disso na época, mas hoje entendo perfeitamente.
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