Uma noite inesquecível

Às 22:00 horas, eu já estava tremendo de tanta ansiedade. Acendendo um cigarro no outro, nem consegui jantar.
Minha mente está dividida entre a possibilidade de finalmente realizar meu grande sonho, e ficar definitivamente com a garota que ocupava minha mente e meu coração nos últimos meses, e a falta que me faria a companhia do meu filho até que a poeira baixasse.
Mas agora era tarde para recuar, mas mesmo que eu pudesse, eu não queria recuar. Depois de meses de espera e sofrimento, essa seria a noite de atacar, de correr sem olhar para trás. Mas, ainda havia uma possibilidade de tudo dar errado, e se ela desistisse agora, eu talvez não tivesse mais forças para continuar insistindo.
Ela havia enviado uma mensagem, confirmando nossa "fuga" para as 3:00 da madrugada. Eu queria sair antes, mas ela se sentiria mais segura nesse horário, e, depois de tanta espera, algumas horas não seriam problema para mim.
O problema veio de onde eu menos esperava. Eu não poderia sair sem deixar meus pais avisados. Primeiro conversei com meu filho, explicando a situação de forma que ele, nos seus 6 anos pudesse entender, mas só contei sobre o plano para minha mãe algumas poucas horas antes da partida.
Ela sentiu medo, mas não se manifestou contra minha decisão, diferente do meu pai, que chegou ao ponto de me desafiar e esconder as chaves do meu carro. Atitude completamente irracional e desnecessária.
Preparei minha mala, e a ansiedade só aumentava com o passar do tempo. Do lado dela, estava tudo certo, e em completo segredo. Eu não havia sequer revelado nosso destino para que ela não colocasse tudo à perder contando para alguém.
Às 2:45 a.m., dei mais um beijo no meu filho que dormia, coloquei a mala no carro e parti para a aventura que iria mudar minha vida e marcá-la para sempre. Era o início do nosso "felizes para sempre"...

Depois de tanto tempo sem sequer vê-la, chegar em sua rua e encontrá-la me esperando, foi certamente um dos momentos mais felizes da minha vida.
Ela estava linda, com sua mochila nas costas. Loira com seus 17 anos. Aparentemente calma, e certamente muito mais calma do que eu. Ela colocou a mochila no carro e entrou.
Eu mal olhei pra ela, e parti à toda velocidade, correndo, fugindo de um período que me fez sofrer tanto e querendo chegar o mais rápido possível no nosso destino, a nossa felicidade!


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