Funk, português errado e o grito de uma geração

Sou uma dessas pessoas que não suporta ouvir um único refrão de funk sem fazer careta. Sou dessas pessoas que olha com desprezo para essa nova geração cheia acessórios bregas. Esses óculos espelhados, aparelhos dentários enormes e coloridos e correntes gigantes, que lembram muito aquelas guias enforcadoras que usamos para passear com cachorros grandes ofendem meu bom-gosto.

Como sempre gostei muito de ler, me parte o coração ver a forma como esses jovens escrevem, cometendo erros ortográficos e gramaticais tão básicos que me fazem pensar no quê eles estão fazendo na escola.

Porém, temos que ter em mente que, não importa o quanto nos negamos a aceitar, os jovens são o futuro, e em pouco tempo serão os donos desse mundo.
São esses jovens que vão assumir as rédeas do mundo assim que os adultos de hoje se tornarem velhos. E esse conflito de gerações não é nenhuma novidade. Aliás, sempre foi assim!

Ao longo da história, as gerações mais jovens sempre foram melhores sucedidas do que seus antecessores, ou seja, existem grandes chances de que esses jovens sem senso de estética e sem nenhum bom gosto musical, construam uma civilização mais justa, moderna e bem-sucedida do que a que temos hoje.

Podemos fazer o que sempre fizemos e continuar criticando os jovens por sua preguiça e mau-gosto, ou podemos aceitar que também nós já fomos os jovens feios, com cabelos extravagantes. Nós também crescemos ouvindo músicas que faziam nossos avós taparem os ouvidos (claro que havia poesia e sentimentos mesmo no rock mais pesado), e no entanto crescemos e nos tornamos chefes de família e pais responsáveis.

Vamos criticar e nos afastar, ou vamos ignorar nosso bom-gosto e nos esforçarmos para ficar por perto, passando o máximo da nossa experiência sem parecermos chatos para que eles possam também nos entender?
Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Lobo rosnando - Desenho à lápis

Educação financeira - Aposentadoria tranquila