Instinto

Desde quando Vinicius nasceu, eu senti despertando em mim um instinto muito forte de proteção. Olhar pra ele, tão frágil, e saber que sua vida dependia da minha proteção, mudou muita coisa dentro de mim.
Até ele se tornar um rapazinho, eu não tive uma noite de sono completa, sem estar atento o tempo todo ao sono dele.
Acontece que eu nunca tive um susto com ele. Ele nunca engasgou no meio da noite. Nunca caiu da cama (enquanto era bebê), e assim, eu fiquei mal acostumado com essa tranquilidade. E com a chegada do Victor, eu não tenho estado em alerta durante as madrugadas. Estive tenso por isso, com medo de que algo acontecesse e eu não percebesse.

Essa madrugada meu medo se tornou justificável. Eu estava dormindo pesado, mas levantei com um pulo. Acendi as luzes e fui no berço. Victor havia vomitado e se engasgado. Estava de barriga pra cima, e estava sufocando.
Eu o peguei e ajudei a limpar as vias respiratórias, com tapinhas nas costas.
Foram momentos tensos. Eu chamei Ângela e meus pais, e quando a ambulância chegou ele já estava recuperado.

Foi um grande susto, mas me serviu para saber que meus instintos continuam em alerta. Assim, fico mais tranquilo, sabendo que não vou deixar nada de mal acontecer com meus protegidos por distração.


Enquanto eu tiver forças, quem está comigo, ao meu lado, vai estar seguro.
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